sábado, 24 de agosto de 2013

Sábado

O Sábado é um dia especial. Foi um dia que Deus criou para que estivéssemos mais perto Dele e fizéssemos o Seu trabalho. Foi algo que nos deu para nosso benefício.

"E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera." (Génesis 2:2-3)

"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou."(Êxodo 20:8-11) 

Digo-vos que é um prazer chegar ao final do dia de sexta-feira e começar o Sábado. Jesus guardava o sábado, como ordenado por Deus ("entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler." Lucas 4:16), mas quando foi necessário ele curou pessoas ao sábado. Curar alguém que está doente é considerado trabalho?
Aqui, o hospital ao sábado funciona apenas com o essencial: enfermeiros, um clinical officer "on call" (de chamada) e um médico também de chamada, ou seja, são chamados quando é preciso alguma coisa, mas pode acontecer passarem o dia no hospital.
E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler.
Lucas 4:16"
E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler.
Lucas 4:16
E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler.
Lucas 4:16
E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler.
Lucas 4:16
E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler.
Lucas 4:16
E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler.
Lucas 4:16

O meu primeiro Sábado aqui, há uma semana atrás, foi muito bom. A Escola Sabatina e o culto não foram na igreja do Malamulo, mas sim numa parte do hospital que mimetiza uma igreja para os estudantes da faculdade daqui. Mas não estava nada vazia, estavam mais de 100 pessoas. Antes da escola sabatina houve cerca de 30 minutos de momentos musicais e posso dizer-vos que é LINDO ouvir os malawianos cantar. Assim que a congregação toda começa a cantar parece um côro angelical ensaiado exaustivamente com diferentes vozes numa harmonia perfeita, mas eles apenas o fazem naturalmente. Aqui não há instrumentos ou playback, a música é apenas feita com as suas vozes, e é muito bonito.

Muito agradável foi ter almoçado em casa de uma família daqui, com a qual tenho passado tempo e que posso agora levar no coração, pois tornaram-se meus amigos. Eles prepararam com muito carinho a refeição para mim e para o Dr Pearce, que já os conhecia desde o ano passado, quando esteve cá, e foi muito bom :) bem como o passeio.
Por vezes não se sabe onde vai ocorrer a escola sabatina e o culto, mudam de local constantemente (hospital, igreja, nas aldeias), tanto que hoje foi ao ar livre no meio de uma aldeia. Durante a maior parte do tempo, era eu a única não-malawiana junto deles todos, mas claro que tentava cantar as músicas em Chichewa :) Para os interessados, tenho vídeos que poderei mostrar posteriormente.



Eunice

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Guest house e Malamulo Hospital Pictures

Imagens maravilhosas da guest house, ou seja, do meu palácio aqui no Malamulo :P E um exemplo de refeição maravilhosa preparada pelo Alec: Feijão, arroz, soja, vegetais - MUITO BOM! :) A outra é um corredor do hospital.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Living in Malawi

Olá!! Tem sido complicado aceder à internet e das vezes que consegui é muito lenta e praticamente não funciona. Pois bem, tenho aprendido. Por agora tenho estado com o Dr. Pierce (Medicina Interna, especialista em HIV) e com os clinical officers, medical assistants e enfermeiros na “General Ward”, que é a enfermaria geral, e tenho visto desde doentes HIV positivos (grande parte deles), Tuberculose, Meningite, Pneumonias, etc. Os Malawianos são realmente fortes! Há dois dias atrás chegou uma rapariga de 20 anos com uma Hb de 3,0 mg/dl e satO2 de 77%, HIV+ e com história de tuberculose (portanto num estado muito mau), e hoje já estava a andar normalmente pelos corredores e a sorrir de volta quando sorríamos para ela. Só para terem uma ideia dos recursos, não havia oxigénio suficiente para todos, então tivemos que retirar temporariamente o oxigénio de um doente que provavelmente tem DPOC (uma doença pulmonar que impede os doentes de respirarem normalmente, principalmente quando é exacerbada por infecções) para colocar nesta rapariga e, depois desta estabilizar, levámos de volta para o senhor da DPOC pois a saturação de O2 estava a baixar muito. Parece muito fácil na Europa ou nos EUA! Uma das particularidades que ocorre de forma diferente aqui é que os doentes podem e devem ter sempre alguém a acompanhá-los enquanto estão internados, um “guardian”, ou seja, quer seja de dia ou de noite, está sempre alguém sentado perto deles, mas por vezes vão rodando dentro da mesma família. Parece-me que eles são muito ligados à família. Hoje, por volta das 12h, estávamos num quarto, que tem cerca de 8 camas, a examinar um doente, e de repente, quando damos por nós, estavam umas 20 pessoas a mais sentadas no chão ou nas camas, perto dos doentes, e todos a olhar para o que estávamos a fazer. Nós começámos a perguntar uns aos outros “o que é que se passa aqui?”, “o que é que eles estão aqui a fazer?”, “é uma festa?”. Mas não, pelos vistos é o que acontece normalmente, apesar de ainda não nos termos apercebido. Ou seja, quando chega a hora de almoço, que é hora de visitas, a família, separada devido a um membro estar no hospital, vem toda visitar o doente, e por visitar digo estar sentados perto dele sem fazer nada! É culturalmente interessante… Para os que estiverem “clinicamente interessados”, depois tentarei colocar alguns casos que vou vendo por aqui. Eunice

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Primeiro dia no Malawi

           Olá família e amigos!
           (Sorry, english speakers, I didn’t have time to write it in portuguese and english).
Só agora consegui dar notícias usando a pen de internet de um médico cá de casa. Tenho que comprar um cartão de forma a poder ter internet mas não sei quando conseguirei fazê-lo.
Bem, verei o que posso contar-vos neste bocadinho que tenho disponível…
Durante a viagem conheci pessoas interessantes e foi bom passar o tempo com eles, portanto os vôos, apesar de cansativos e longos, pareceram mais rápidos. Apesar disso, foi bastante cansativo pois não consegui dormir quase nada no avião. Quando cheguei a Blantyre nunca pensei que estivesse tanto calor (está o mesmo que em Portugal agora nos dias quentes) dado que aqui é o fim da estação fria. O aeroporto é hilariante! Andamos apenas cerca de 50 metros do avião para o aeroporto em si e quando entramos lá dentro basicamento parece uma casa com as admissões para o país e as malas. Ao fim de um pequeno corredor, lá estava o Senhor Kachunga com um cartaz a dizer “Welcome to Malamulo Hospital Eunice Parcelas”.
A viagem de Blantyre até ao hospital (cerca de 80km) demora cerca de 1,5 horas, mas nós demorámos mais porque passámos por outras clínicas. À medida que nos afastamos da cidade as estradas são péssimas, cheias de buracos, ou não existem sequer, mas cá chegámos nós, já de noite – exacto, às 18h é noite cerrada aqui! A minha primeira impressão da guest house (casa das visitas) não foi a melhor – as portas muitas vezes abertas com mosquitos a entrar, não necessariamente limpinha e cheirosa como as nossas casas, só com redes nas janelas e não com vidros, a banheira sem cortinas e com um pequeno tubo apenas. Enfim… Mas acho que ao fim de um bocadinho me habituei (nós é que estamos mal habituados!).
Após acomodar-me, fui apresentada às outras pessoas da casa (muito simpáticas), conversámos e convivemos durante algum tempo e depois fui descansar.
No meu primeiro dia no hospital, a cerca de 200m da casa, foi-me feita uma mini visita e deu para ter uma noção geral. Os doentes pagam cerca de 100 kwacha por dia para estar na enfermaria geral, sem refeições, mas há um anexo com melhores condições e com refeições que é substancialmente mais caro (mas barato face ao custo real). Para terem noção, 100 kwacha são menos de 30 cêntimos. O resto é o hospital (Loma Linda penso eu) que suporta (e suporta muito) pois tem que pagar a muitos trabalhadores – é por isso que é um hospital missionário. É, também, maior do que eu imaginava e tem muitos departamentos, sendo que a maioria deles funciona sem um médico à frente, ou seja, os “clinical officers” (não há em Portugal, mas é tipo um ajudante de médico, entre um enfermeiro e um médico em conhecimento e formação, por assim dizer) e os enfermeiros, praticamente todos do Malawi, têm mais autonomia, sendo que os médicos são chamados quando é preciso se já não estiverem nesse departamento. O hospital é relativamente grande e tem, neste momento, 2 ou 3 médicos especialistas e 1 residente de cirurgia. Digo-vos, isto é MUITO diferente daquilo a que estamos habituados e eu sei que já o sabemos e estamos fartos de dizê-lo, mas é ainda mais real quando o vemos - após passar mais tempo aqui poderei contar melhor.
Passei grande parte do meu dia na Maternidade. Quem faz os partos são enfermeiros e clinical officers (até cesarianas podem fazer!), mas aqui nem sabem o que é uma epidural! E qual campo estéril – só luvas esterilizadas e já é muito bom! Eles perguntam se as mulheres em Portugal não sofrem desta maneira nos partos, entre outras coisas... É muito giro aprender com eles, como vivem e funcionam, e eles têm gosto em ensinar.
Muitos de vós devem estar-se a perguntar “E a comida?” A comida é muito boa posso dizer-vos!! Temos um cozinheiro, o Alec, que deixa comida feita para todas as refeições, e cozinha muito bem! Logo quando acordei, hoje de manhã, tinha papas de aveia acabadas de fazer, cha rooibos, pão, manteiga de amendoim, etc. Em baixo, poderão ver foto…
Portanto, basicamente, até agora estou a gostar muito! Os Malawianos são muito amigáveis e ficam contentes quando lhes damos atenção ou tentamos falar Chichewa – ah isto é outra barreira, a maioria dos doentes não fala inglês, portanto têm que ser os clinical officers, malawianos, a falar com eles e traduzir.

                Despeço-me aqui do belo Malawi,
                Eunice

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

"A mim o fizestes"

No ACNAC de Desbravadores, que ocorreu de dia 1 a 11 de Agosto de 2013 na Costa de Lavos, foi proposto aos desbravadores e respectivos dirigentes fazer uma especialidade da ADRA - Adventist Development and Relief Agency (http://www.adra.org) -, o que foi feito pela primeira vez em Portugal. Essa especialidade foi de Serviço Comunitário.
Foi bastante enriquecedor, pois para além de termos tido alguma formação teórica e base bíblica de como esse trabalho foi ordenado por Deus, foi realizada também a componente prática. Essa consistiu em:
- Trabalho no próprio parque ("em casa") - foram pintadas paredes e muros, feito trabalho de pioneirismo, demolida uma parede, construídas mais mesas, etc.;
- Distribuição de cabazes de alimentos para um mês a famílias carenciadas específicas;
- Experiência de quase um dia a viver com muito pouca água, de modo a percebermos o esforço que muitas populações que não têm acesso a água têm que fazer de modo a poderem matar a sede, cozinhar, lavar a loiça, tomar banho, etc.;
- Uma tarde em que mais de 200 jovens saíram à rua e bateram às portas para trabalhar naquilo que as pessoas precisassem, quer nas suas casas quer nos quintais - limpar a casa, jardinagem, acartar materiais, arrumar, etc.

Jesus disse: "Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mateus 25:40), ou seja, quando servimos os outros estamos também a servir Jesus e isso é algo fascinante, dado que Ele próprio veio para servir e não para ser servido.
Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
Mateus 25:40
Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
Mateus 25:40

Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
Mateus 25:40

Isto inspirou-me a fazer um blog com foco na vida de serviço e no sentido e motivos dessa. Por outro lado, amanhã partirei sozinha para o Malamulo Hospital, no Malawi, onde vou ficar um mês, e irei partilhar aqui a experiência que espero que seja essencialmente de serviço.

Aqui deixo-vos o link do hospital - http://www.malamulohospital.org/. Darei notícias quando puder...

Fiquem em paz :)
Eunice