(Sorry, english speakers, I didn’t
have time to write it in portuguese and english).
Só agora consegui dar notícias
usando a pen de internet de um médico cá de casa. Tenho que comprar um cartão
de forma a poder ter internet mas não sei quando conseguirei fazê-lo.
Bem, verei o que posso contar-vos
neste bocadinho que tenho disponível…
Durante a viagem conheci pessoas
interessantes e foi bom passar o tempo com eles, portanto os vôos, apesar de
cansativos e longos, pareceram mais rápidos. Apesar disso, foi bastante
cansativo pois não consegui dormir quase nada no avião. Quando cheguei a
Blantyre nunca pensei que estivesse tanto calor (está o mesmo que em Portugal agora
nos dias quentes) dado que aqui é o fim da estação fria. O aeroporto é
hilariante! Andamos apenas cerca de 50 metros do avião para o aeroporto em si e
quando entramos lá dentro basicamento parece uma casa com as admissões para o
país e as malas. Ao fim de um pequeno corredor, lá estava o Senhor Kachunga com
um cartaz a dizer “Welcome to Malamulo Hospital Eunice Parcelas”.
A viagem de Blantyre até ao
hospital (cerca de 80km) demora cerca de 1,5 horas, mas nós demorámos mais
porque passámos por outras clínicas. À medida que nos afastamos da cidade as
estradas são péssimas, cheias de buracos, ou não existem sequer, mas cá
chegámos nós, já de noite – exacto, às 18h é noite cerrada aqui! A minha
primeira impressão da guest house (casa das visitas) não foi a melhor – as
portas muitas vezes abertas com mosquitos a entrar, não necessariamente
limpinha e cheirosa como as nossas casas, só com redes nas janelas e não com
vidros, a banheira sem cortinas e com um pequeno tubo apenas. Enfim… Mas acho
que ao fim de um bocadinho me habituei (nós é que estamos mal habituados!).
Após acomodar-me, fui apresentada
às outras pessoas da casa (muito simpáticas), conversámos e convivemos durante
algum tempo e depois fui descansar.
No meu primeiro dia no hospital, a
cerca de 200m da casa, foi-me feita uma mini visita e deu para ter uma noção
geral. Os doentes pagam cerca de 100 kwacha por dia para estar na enfermaria
geral, sem refeições, mas há um anexo com melhores condições e com refeições que
é substancialmente mais caro (mas barato face ao custo real). Para terem noção,
100 kwacha são menos de 30 cêntimos. O resto é o hospital (Loma Linda penso eu)
que suporta (e suporta muito) pois tem que pagar a muitos trabalhadores – é por
isso que é um hospital missionário. É, também, maior do que eu imaginava e tem
muitos departamentos, sendo que a maioria deles funciona sem um médico à
frente, ou seja, os “clinical officers” (não há em Portugal, mas é tipo um
ajudante de médico, entre um enfermeiro e um médico em conhecimento e formação,
por assim dizer) e os enfermeiros, praticamente todos do Malawi, têm mais
autonomia, sendo que os médicos são chamados quando é preciso se já não
estiverem nesse departamento. O hospital é relativamente grande e tem, neste
momento, 2 ou 3 médicos especialistas e 1 residente de cirurgia. Digo-vos, isto
é MUITO diferente daquilo a que estamos habituados e eu sei que já o sabemos e
estamos fartos de dizê-lo, mas é ainda mais real quando o vemos - após passar
mais tempo aqui poderei contar melhor.
Passei grande parte do meu dia na
Maternidade. Quem faz os partos são enfermeiros e clinical officers (até
cesarianas podem fazer!), mas aqui nem sabem o que é uma epidural! E qual campo
estéril – só luvas esterilizadas e já é muito bom! Eles perguntam se as mulheres
em Portugal não sofrem desta maneira nos partos, entre outras coisas... É muito
giro aprender com eles, como vivem e funcionam, e eles têm gosto em ensinar.
Muitos de vós devem estar-se a
perguntar “E a comida?” A comida é muito boa posso dizer-vos!! Temos um
cozinheiro, o Alec, que deixa comida feita para todas as refeições, e cozinha
muito bem! Logo quando acordei, hoje de manhã, tinha papas de aveia acabadas de
fazer, cha rooibos, pão, manteiga de amendoim, etc. Em baixo, poderão ver foto…
Portanto, basicamente, até agora
estou a gostar muito! Os Malawianos são muito amigáveis e ficam contentes
quando lhes damos atenção ou tentamos falar Chichewa – ah isto é outra
barreira, a maioria dos doentes não fala inglês, portanto têm que ser os clinical
officers, malawianos, a falar com eles e traduzir.
Despeço-me aqui do belo Malawi,
Eunice
Obrigada Nice pelas notícias! Noticias de longe e ainda por cima boas mete-nos com um sorriso nos lábios e uma lagrimita no canto do olho (agora imagino a tua mae lol). É bom ter essa ideia de realidades que imaginamos mas nao vemos. Vais sair daí tao diferente hehe! Que os anjos do Senhor te protejam. Beijinhoa e continua a mandar noticias ;)
ResponderEliminarObrigada filha, já tínhamos vindo aqui ontem várias vezes!!
ResponderEliminarO meu coração ficou mais tranquilo ao saber pormenores do teu 1º dia no hospital.
MAS,,hoje fiquei mais feliz e em paz por ouvir a tua voz!!!!
Que bom que estás a gostar, nem podia ser de outra forma.
Que Deus te ilumine e acompanhe nesta missão.
Feliz Sábado
Mil milhões de beijinhos